quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Petróleo, crime ambiental e turismo

Petróleo, crime ambiental e turismo

No dia 20 de abril de 2010, uma explosão em plataforma da empresa BP (British Petroleum) deu início a um imenso vazamento de petróleo do golfo do México, emporcalhando 229 mil quilômetros quadrados de costas e praias da região.
Tal episódio que matou animais e colocou o ecossistema em perigo, forçou o governo norte-americano a falar duro com os responsáveis pela tragédia.
O acidente ocorreu a 65 km da costa do Estado da Louisiania (EUA) e foi debelado por uma megaoperação montada para reduzir o impacto do óleo na reserva ambiental.
Mais de 60 km de barreiras flutantes foram montadodas para que a mancha não se alastrasse impactando ainda mais o litoral dos EUA.
Aviões jogram dispersantes sobre o petróleo que flutuava na superfície do mar e, desde logo, 75 barcos e mais de 2.000 pessoas foram mobilizadas para retirar o máximo de petróleo possível do meio ambiente.
No início, técnicos calcularam que estavam sendo despejados 795 mil litros de óleo por dia _e isso de um poço submarino a mais de 1,5 km de profundidade.
O que restou do episódio foi um rastro de desolação: 1.600 km de costas contaminadas, pesca prejudicada por várias temporadas e espécies frágeis correram o risco de extinção.
O turismo, naturalmente, também foi bastante afetado.
Mas, nesse episódio, o governo dos EUA não deixou barato e, além da megamobilização, impôs perdas e cobrou indenizações da BP, empresa (ir)responsável pela plataforma de prospecção que afundou, dando início a esse triste episódio.
Não passou muito tempo para que ocorresse no Brasil um acidente similar, dessa vez numa planta da companhia petroleira norte-americana Chevron, que prospectava petróleo na Bacia de Campos (RJ).

Vazamento de óleo no Campo Frade, na Bacia de Campos  
Foto: Divulgação Governo do Estado do RJ
O petróleo já vaz há mais de dez dias e, sem solução à vista e nem megaoperação em andamento, há um jogo de empurra-empurra que turva a real dimensão desse episódio.
A Agência Nacional de Petrópelo (ANP), a Marinha e o Ibama prometem punir a Chevron, acusando-a de crime ambiental.
A empresa diz que vazaram, nos primeiros dez dias, algo como 650 barris nesse poço situado a 370 km a nordeste do litoral do Rio.
Já a ANP diz que, por baixo, o derramento de óleo é pelo menos cinco vezes maior.
John Amos, da ong SkyTruth, um especialista norte-americano que alertou para a gravidade do episódio no golfo do México no ano passado, estima que, no Rio, estariam vazando 3.738 barris diariamente, ou seja, 23 vezes mais do que o admitido pela Chevron.
Imagens da Nasa, segundo ele, comprovam o real tamanho da tragédia.
Mas as perguntas que ficam são: quão duro o governo federal brasileiro vai falar com a Chevron e quais recursos extraordinários estão sendo moblizados para minorar os efeitos desse vazamento de petróleo?
Outra questão: por que o Brasil, à luz do triste episódio ocorrido no golfo do México em 2010, não exige que as empresas que prospectam petróleo no mar (off-shore) tenham um plano de emergência em tais situações?
Se o Brasil vai realmente explorar o pré-sal, não seria importante repensar procedimentos para evitar acidentes assim?
A Chevron, que atua em três dezenas de países e cujo valor patrimonial é estimado em US$ 200 bi, divulgou nota dizendo que a operação para vedar o poço com cimento está em andamento, mas não menciona prazos.
Esperemos que a empresa seja instada a pagar a conta dos pescadores, dos hoteleiros e daqueles vivem do turismo, para ficar em apenas alguns exemplos.
Mas quanto é mesmo que valem os peixes do mar, as aves marinhas e as praias submetidas à mortandade de espécies?
Prevenir é sempre melhor do que remediar, se é que uma tragédia dessas tem remédio...   
Laís Regina,Pauline, Victor, Irlana, Tamires, Joane.

Um comentário:

  1. Rapaz fiquei chocada com essa tragédia me sinto muito triste pelas coisas que o desenvolvimento dessordenado provoca, tudo isso pelo dinheiro e por vontade de ser uma potência no mundo.Porque não se desenvolver com sustentabilidade, pode ter até pensado assim mais não podemos correr esse risco de preujudicar ainda mais a natureza,imagine quantos animais marinhos estão com falta de oxigênio, sem poder se locomover direito isso realmente é muito triste!
    Laís Regina.

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